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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo

Situado em Viena, o Karl Marx Hof é um prédio residencial com mais de um quilômetro de comprimento. Só pelo seu comprimento existem quatro pontos de ônibus.

Em 1930, quando foi inaugurado, o Karl Marx Hof não se distinguia apenas pelo enorme comprimento e nem pelo seu forte contraste visual em razão da altura e do tom de vermelho intenso. O que realmente caracterizava o edifício é que ele era o símbolo da política socialista da época e da arquitetura a seu serviço. Foi construído em uma zona nobre da cidade com mais de 1300 apartamentos oferecidos aos trabalhadores, com instalações sanitárias, água canalizada e varandas. Era considerado um luxo a que nenhum operário da época tinha acesso.

Hof é o nome que se dá aos edifícios de habitação social que foram construídos pelo governo socialista austríaco durante os anos 20. Assemelhavam-se a imensos quarteirões, porém a parte interna aos prédios era composta por espaços livres comunitários, geralmente preenchidos por alguns jardins. Dentre os equipamentos sociais do local era possível distinguir escolas, espaços de recreação, lavanderias, serviços médicos, estabelecimentos comerciais e instalações sanitárias. Aos poucos essa tipologia foi ganhando popularidade e deixou influências no urbanismo moderno.

Com o passar do tempo e com o fim do socialismo europeu, o enorme edifício viu sua decadência, passando a ter problemas sociais e em sua estrutura. A idéia de sentimento comunitário e bom relacionamento entre os habitantes foi se perdendo, os apartamentos se tornaram obsoletos e tiveram suas infra-estruturas degradadas. Assim, o Karl Marx Hof tornou-se um gueto.

Nos anos 90 um plano de intervenção foi feito para o local. Incluía obras como reparação da estrutura, substituição de pavimentos, janelas e outros elementos, para que o edifício pudesse se ajustar aos padrões de vida atuais. Atualmente as habitações restauradas são comumente ocupadas por jovens que não tem poder aquisitivo para morar em locais mais caros da cidade. Eventualmente ocorrem tentativas de organizar atividades coletivas nos espaços abertos e pouco a pouco o espírito comunitário vem sendo resgatado ao Karl Marx Hof.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Inhotim

No dia 30 de maio fizemos uma visita ao Inhotim. O local é a junção do maior Centro de Arte Contemporânea ao ar livre da América Latina com um Jardim Botânico que conta com milhares de espécies. O resultado é um local extremamente aprazível onde arte e natureza convivem quase que mutuamente.


A obra de arte seria a mesma sem a vegetação, sem o contexto em que ela se insere? Certamente não. Essa é a sensação que temos ao descobrir cada obra por entre os jardins de Inhotim.


A própria artista plástica Rivane Neuenschwander, em uma entrevista, disse sobre como a sua obra Continente-nuvem está integrada à pequena casa antiga em que foi abrigada e como a ambientação do entorno também foi pensada. A vegetação em volta da casa claramente destoa do conjunto dos jardins de Inhotim, pois tem a intenção de recriar o ambiente das casas rurais do fim do século XIX, com roseiras e árvores frutíferas. Já dentro da casa nos deparamos com um imenso vazio. O que ocorre realmente é um movimento discreto de bolinhas de isopor, feito por ventiladores ocultos sobre o teto translúcido, tão sutil quanto o vazio e a própria casa por fora, que admito inicialmente não ter imaginado que lá houvesse alguma obra.


É incrível como a arte se revela por entre as diversas espécies e nos provoca uma sensação de surpresa, uma expectativa por o que pode se encontrar por trás das próximas árvores ou em uma clareira da vegetação nativa. Obviamente as obras dentro das galerias também têm um grande mérito e estão lá por motivos de conservação, climatização adequada ou pelo próprio funcionamento. Mas o que realmente me chamou atenção foi a relação das obras externas com o paisagismo, o que me faz ousar dizer que de certa forma a vegetação não só compõe como completa o acervo artístico.


Visitar Inhotim foi sem dúvida um passeio muito válido. Além de ser um belo lugar pra se conhecer é uma ótima forma de entrar em contato com a arte contemporânea de uma maneira mais descontraída e acessível.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pulmão gigante no Parque das Bicicletas

Entre os dias 30 de abril e 2 de maio, um pulmão gigante foi a grande atração do Parque das Bicicletas, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. A estrutura inflável de 190m² foi instalada em uma área de cerca de 300m² e reproduziu minuciosamente o pulmão humano permitindo que o público entrasse pela traquéia e conhecesse todas as características do órgão e seus principais problemas. O parque foi escolhido pois é visitado diariamente por vários atletas e ciclistas e o pulmão gigante pretende associar atividade física, saúde respitatória e qualidade de vida.


Os principais objetivos são informar e alertar a população sobre as principais doenças respiratórias, as formas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

O inflável é dividido em sete compartimentos interligados entre si e produzidos em material translúcido, com ventilação natural, com texturas que simbolizam as doenças do pulmão. Além disso, haverão também textos explicativos e vídeos abordando as doenças mais comuns. Os visitantes vão poder caminhar pelo órgão inflável, e conhecer as sete salas, cada uma com um tema: Tuberculose, Asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), Doença Intersticial, Câncer, Pneumonia e Tabagismo.


Uma parceria entre a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) foi responsável pela iniciativa. Quem apoiou também a realização foi o Secretário Municipal de Esportes, Dr. Walter Feldman, que disponibilizou o Parque das Bicicletas para a exposição educativa. A exposição fez parte da celebração do Ano do Pulmão, que vem sendo comemorado em 2010 por sociedades médicas de diversas partes do mundo.


“Queremos oferecer à população informações sobre as características de todos estes males que atingem a saúde respiratória, abordando os principais fatores de risco, prevenção, detecção e a importância do início precoce do tratamento, qualquer que seja a patologia, de maneira lúdica, de modo a chamar a atenção e conscientizar desde as crianças até os mais experientes”, afirmou a Drª. Jussara Fiterman, presidente da SBPT.


Estima-se que aproximadamente 20 mil pessoas visitaram o Pulmão Gigante durante sua passagem pela capital paulista.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Possível demolição do Minhocão

Recentemente o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou um projeto de demolição para o elevado Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão. O elevado foi inaugurado em 1971 na gestão de Paulo Maluf e desde então tornou-se um enorme problema urbano e social na região central de São Paulo. A região se tornou ponto de prostituição, mendicância e uso de drogas, além da incauculável poluição visual e sonora que prejudica moradores do local. O elevado possui inclusive horários determinados para o funcionamento pois em alguns pontos a distância deste aos apartamentos é de apenas 5 metros.


Inúmeros epecialistas são a favor da demolição. "A intenção é, de certa forma, incentivar o mercado imobiliário a fazer um investimento na região e, com essa valorização, promover a demolição do elevado. A região do elevado merece um projeto independente de uma proposta tão ampla, a demolição do Minhocão deveria ser imediata" afirmou Flamínio Fichmann. Ele também disse que um túnel seria uma alternativa mais inteligente e que é possível direcionar o fluxo de trânsito para vias alternativas, visto que o agravamento do trânsito que eventualmente seria causado pela domolição do elevado é uma preocupação do projeto. "A cidade mais perde do que ganha com o elevado Costa e Silva. É um absurdo uma cidade privilegiar vias elevadas, que abrigam mendigos embaixo, hoje já existem outras técnicas alternativas e baratas. O elevado se tornou uma cicatriz para São Paulo", afirmou.

Um projeto desse porte obviamente demanda tempo tanto para a demolição quanto para adequação. Assim o mercado aposta que se houver viablização do projeto, a demolição ocorreria no mínimo em 2025. Isso se torna motivo de descrença para a população e profissionais ligados ao projeto, pois mudanças políticas podem prejudicar o andamento do projeto.

Elevado em uma cena do filme "Ensaio Sobre a Cegueira"

No link a seguir há uma entrevista interessante com o cineasta Fernando Meirelles, também arquiteto e urbanista, que apóia o projeto de demolição.

http://migre.me/N7qI

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Archigram - Walking City

Walking City foi um projeto do Archigram de 1963, que propunha criar uma infraestrutura de cidade nômade. Era composto por enormes edifícios itinerantes 400m de comprimento por 220m de altura que poderiam caminhar até mesmo em desertos e oceanos. Dentro destas estruturas haveriam todos os equipamentos necessários para o funcionamento de uma cidade comum: habitações, escritórios, setores comerciais, serviços públicos e privados. Através de "braços" haveria comunicação dos prédios da Walking City entre eles mesmos e as cidades terrestres.


O Walking City antecipou o estilo de vida acelerado urbana de uma sociedade tecnologicamente avançada em que não é preciso estar a um local permanente. Por meio de sua existência nômade, culturas diferentes e as informações seriam compartilhadas, criando um mercado global de informação.


O projeto foi amplamente criticado e foi até mesmo comparado com monstros e tanques de guerra. Foi considerado não apenas como uma “distopia tecnológica”, mas um ataque à humanidade. Alguns afirmaram que o projeto seria inumano, "privilegiando a construção ao espaço, o contentor ao conteúdo, a carcaça ao homem".


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Museu de Planejamento Urbano de Tianjin

Após a abertura comercial para o ocidente, a China concentra grande parte dos projetos inovadores da arquitetura contemporânea mundial. Com isso constantemente abrem-se concursos de arquitetura para a construção de grandes obras, assim como ocorreu na época de realização dos jogos olímpicos de 2008 em Pequim.

Recentemente um projeto da empresa holandesa Architekten Cie venceu o concurso para a construção do Museu de Planejamento Urbano de Tianjin.


O edifício ocupa uma área de 29000m² que contam com escritórios, estacionamentos, centro de conferências, galerias e oficinas de pintura. Produzido em parceria com a empresa UNIT Architects de Xangai, possui estrutura e forma que combinam materiais e processos construtivos tradicionais da China com alta tecnologia. O resultado do processo é uma arquitetura verdadeiramente sustentável.

A imagem que o edifício tem é semelhante a uma sobreposição de blocos de mah-jong, um tradicional jogo de mesa chinês. Uma característica importante da edificação é também a existência de numerosos espaços livres por motivos de acessibilidade, iluminação natural e ventilação. As paredes e o teto são revestidos com materiais naturais e há presença constante de vegetação e painéis com pinturas e elementos decorativos que remetem a arquitetura tradicional chinesa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Caiaques no Rio Pinheiros

Durante o mês de outubro de 2006 o artista plástico Eduardo Srur realizou uma intervenção urbana curiosa no Rio Pinheiros. 100 caiaques coloridos com 150 manequins presos por cordas foram colocados em um trecho de 3km do rio escuro e poluído e puderam ser visto diariamente por cerca de 300 mil pessoas.


A intenção do artista foi relembrar como até a década de 40 o rio Pinheiros era plenamente usado por pessoas de carne e osso, que podiam remar e nadar sem a poluição que hoje assola as suas águas. Juntamente com isso, a obra serviu também como denúncia para o descaso com a questão ambiental dos rios urbanos e um apelo a uma tentativa de despoluição das águas e recuperação das margens do rio.


As imagens mais impactantes da intervenção provavelmente são as que mostram os caiaques literalmente sendo carregados pela sujeira do rio. O que poderia ser considerado um acidente que estragou a obra, serviu ainda mais para enfatizar e contextualizar a proposta feita pelo artista.


A obra de Eduardo Srur em grande parte procura retratar a degradação ambiental nas cidades e há também uma outra intervenção realizada em 2008, que vale a penas ser conferida. A exposição "Quase Líquidos" em que 20 garrafas PET gigantes foram inseradas nas margens do Rio Tietê.
http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/2008/03/25/ult4326u770.jhtm